domingo, 21 de janeiro de 201821/1/2018
+55 83 9 86812319
Claro
22º
25º
36º
Patos - PB
Erro ao processar!
Banner abaixo dos vídeos
BRASIL
A FAMÍLIA LEITE FERREIRA, O PADRE ARISTIDES E A COLUNA PRESTES, 1926.
No comando do governo da Paraíba, estava o grupo dos Pessoa que derrotara o Monsenhor Walfredo Leal
Rita Bizerra Patos - PB
Postada em 11/12/2017 ás 17h04 - atualizada em 11/12/2017 ás 17h12
1.921 acessos
A FAMÍLIA LEITE FERREIRA, O PADRE ARISTIDES E  A COLUNA PRESTES, 1926.

Foto da coluna Prestes - 1926


Quando a Coluna dos generais Djalma Dutra/Siqueira Campos/Miguel Costa (depois chamada Coluna Prestes) realizava sua marcha histórica através do país, não era seu propósito o combate armado, mas a divulgação de ideias sociais renovadoras na política nacional. Os reclamos do povo contra o atraso econômico e social que tal procedimento acarretava ao país, era escutado pelos militares. Uma Verdade que muitos piancoenses ignoram, mas precisam saber.


No comando do governo da Paraíba, estava o grupo dos Pessoa que derrotara o Monsenhor Walfredo Leal candidato apoiado pelos Leite Ferreira em Piancó. O Padre Aristides representante dos vitoriosos, na linguagem popular “ficou de Cima”. Mas os Leite , mantinham a sua tradição, resistiam com o seu deputado federal dr Felizardo Leite Ferreira, médico, e o deputado estadual dr.Ademar Leite Ferreira, advogado. O Padre Aristides representava a ação política retrógrada no início do Século XX. Nova política se organizavam no país liderada pela oficialidade superior das Forças Armadas que defendia o voto secreto, o ensino primário obrigatório, a industrialização, os direitos trabalhistas e outras propostas éticas e democráticas no campo do desenvolvimento econômico e social.


Luiz Carlos Prestes incorporado à coluna militar era capitão, e defendia as mesmas ideias sociais em oposição ao governo federal. Que exigia dos governadores (presidentes) dos Estados, fosse dado combate à coluna que contestava a sua posição, oferecendo-lhes os benefícios de seus programas administrativos. Por sua vez, os presidentes dos Estados, na Paraíba João Suassuna, cobravam dos seus correligionários nos municípios, apoio para bem se situar perante o poder federal. 


Ao padre Aristides cabia, como correligionário do governo estadual, decidir sobre o que devia ou não devia fazer em Piancó. Assumiu ele a defesa do governo, emboscou covardemente a Coluna Militar. Nada envolve a família Leite Ferreira “oposicionista” que se recolhera as suas fazendas, no episódio sangrento.


Ainda há tempo para reabilitar a honra e bravura dos filhos de Piancó, manchadas por indivíduos, que falseiam a história dos fatos referentes à passagem da Coluna na cidade. Prestes naquele tempo era um competente capitão, não comandava, e naqueles dias não se falava ainda em comunismo. A família Leite Ferreira, ao tomar conhecimento da passagem da Coluna na região, procurou recolher-se às suas propriedades rurais como o fez, porque Piancó não estava em questão. Se estivesse, os Leite Ferreira se fariam presentes. O governo é que combatia a Coluna em todo território nacional, e o padre que obedecia ao governo agiu como agiu.


Homenagens, verdadeiramente, devemos e eu as presto, aos heróis daquele trágico dia, os bravos cidadãos, alguns anônimos, sacrificados pela leviandade traiçoeira do Padre Aristides. Lutaram como heróis, enganados, convencidos que defendiam a honra da cidade e do Estado, quando, na verdade defendiam simplesmente o prestígio do Padre Aristides como chefe político, para auferir as vantagens e gozar o prestígio oferecido pelo governador, em prejuízo da moralidade e dos bons costumes, todos sabem.


Pena que muitos não tenham lido “Os Mártires de Piancó”, do Padre Manoel Otaviano, que traça cuidadosa biografia do Padre Aristides e narra com detalhes traços de sua vida e a sua passagem como vigário e líder político na cidade de Piancó. Ali está a verdade dos fatos, e a condenação da calúnia e do desvirtuamento da história por alguns. Em texto introdutório o escritor Celso Mariz registra que “A Coluna Prestes manterá na história do país uma tradição inapagável de idealismo cívico e a medida de uma das mais belas marchas militares do mundo”. E que “... o padre Manoel Otaviano, por muitos motivos e qualidades, era o mais indicado para traçar o perfil em alvo e o acontecimento cruel. Foi discípulo, colega, amigo e depois adversário do perfilado... Era vigário em Piancó quando o padre Aristides já se achava em franca atividade partidária, quando foi suspenso de ordens, quando se deu a hecatombe do seu martírio”. 


Escreveu o Padre Otaviano: “O que vai exarado, neste livro, sobre a vida e morte do padre Aristides Ferreira da Cruz, trucidado no dia 9 de fevereiro de 1926, ao lado de fiéis companheiros do mesmo infortúnio, não sofre contestação. Conheço, de perto, todas as retas e curvas do seu caminho, desde os bancos escolares até o seu desditoso fim”.
Expressão maior da intelectualidade do Vale do Piancó, assim ele comenta na sua tese: “a politiquice de fancaria, baixou as vistas e, sem-vergonhamente silenciou... Também não se compreende, em face dos mais comezinhos princípios de lógica, a berrante propalação, de que dentro da coluna rebelde, havia inimigos do padre Aristides... Como se vê, pelo exposto, a calúnia não ficou de pé, ante a análise criteriosa dos fatos” (Os Mártires de Piancó – Editora Teone, João Pessoa 1954).
Desejo ressaltar, que os Leite Ferreira não pedem licença a ninguém para estarem presentes na história verdadeira e oficial de Piancó: eles são a expressão dessa história. Clodoaldo Brasilino, Chico Job, historiadores locais, e Celso Mariz, Cônego Florentino Barbosa, Cônego Manoel Otaviano, José Octávio de Arruda Melo, Humberto Cavalcanti, todos da APL e do IHGP, e outros intelectuais, já os citaram como personagens principais da vida local, com expressão estadual e nacional; desde a sua chegada à região no tempo do Brasil Colônia, mandados pela Casa da Torre, o que foi patenteado em conferências, livros, jornais e revistas. 


Acontece que os opositores aos Leite Ferreira, até os anos 80 do século passado, poucos nomes ofereceram como ocupantes de cargos eletivos ou administrativos que ilustrassem a galeria dos notáveis na história local. Somente o Padre Aristides Ferreira da Cruz, filho de outra cidade, intentou sustentar a oposição, acolitado graciosamente por oportunistas adversários dos Leite Ferreira. 


Na Assembleia Legislativa, desde a legislatura 1840/41 até 1991, sempre teve assento um Leite Ferreira. Às vezes mais de um. No tempo em que eu exercia o mandato de deputado estadual éramos quatro Leite Ferreira no Plenário: eu, Ademar Leite Teotonio, Antonio Leite Montenegro e José Gayoso sucedendo o cunhado Djalma Leite Ferreira.


Também na magistratura Felizardo Leite Ferreira Neto e outros, na Câmara Federal dr. Felizardo e dr. João Leite Ferreira, no Senado dr. Salviano Leite, no Governo do Estado e em cargos importantes na burocracia estadual e federal estão os seus nomes.


A escolha do Desembargador José Peregrino como candidato a governador, contou com o decisivo apoio dos Leite Ferreira de Piancó. Sem eles teria fracassado. Casado com uma sobrinha do Dr. João Leite Ferreira, inconteste chefe de ampla região sertaneja envolvendo os municípios, de Piancó, Pombal e Patos, contando ainda com a solidariedade dos Gomes de Sá, de Sousa, foi vitorioso no pleito com o apoio da valorosa família Leite Ferreira. Mesmo em franca decadência, atualmente, três Leite Ferreira são vereadores em Piancó.


Quanto ao endeusamento e glorificação do Padre Aristides que alguns pretendem, digo sem medo de errar: Piancó não merece tal rebaixamento, tal despropósito, que constitui uma traição à tradição deste povo bravo, que tem entre os de ontem e os de hoje, legítimos e mais altruístas personagens e heróis. O padre Aristides nem sequer era filho de Piancó. Era de outro lugar, um desajustado e estranho no meio. Um pedófilo, como se diz atualmente. Assim terminou os seus dias.


O problema, é que os Leite Ferreira mostravam-se imbatíveis, e para enfrentá-los os adversários muitas vezes derrotados, tiveram de inventar, criar um mártir na controvertida figura do Padre Aristides Ferreira da Cruz. Os inimigos gratuitos queriam fazer do padre um herói, mesmo na base da mentira; usá-lo como instrumento de uma luta inglória contra os Leite Ferreira – falseando a verdade e a história, como de fato tentaram, e contesto publicamente.


A gloriosa e patriótica “Marcha dos Tenentes” que culminou com a Revolução de Trinta, é levianamente descrita pelos adversários dos Leite Ferreira como uma quadrilha de bandoleiros.


O padre Aristides é verdadeiramente uma figura de nenhuma importância do ponto de vista da ética social, política e religiosa. Pelo contrário. Somente um pretenso coronel protetor de cangaceiros como tantos, no estilo da época. Não passava disto. E o que é pior, envolvido em negócios com personagens escusos que proliferavam nas feiras, no comercio de gado, de animais. Todos conhecem e alguns remendaram a “história do boi lavrado” - um boi roubado encontrando na propriedade no Padre Aristides. .


Faço essas alegações como um dever em prol da verdade, que tem sido falseada ao longo dos anos. Os que ficam do outro lado não defendem a honra, a história de Piancó. São simples e despeitados inimigos gratuitos da família Leite Ferreira. Inimigos da verdade.


ALGUMA BIBLIOGRAFIA


Abaixo uma pequena mostra da vastíssima bibliografia sobre A Coluna Prestes, sua passagem na Paraíba e em Piancó, e o Padre Aristides. A História é assunto sério. O fuxico e a bisbilhotice, e, igualmente o despreparo intelectual em nada contribuem para a fixação e divulgação da Verdade Histórica que é o que interessa. E esse fuxico que acontece em Piancó e outras cidades no trato dos assuntos locais, precisa ser desfeito.


Não em favor de família A ou família B, mas da ética que marca o caráter e a conduta das pessoas e do povo. É hora de salvar a honra conspurcada de Piancó. 


- Os Mártires de Piancó, 1ª. Edição, Padre Manoel Otaviano – João Pessoa-PB
A Coluna Prestes na Paraíba, 2ª. Edição Padre Manoel Otaviano
– João Pessoa-PB
- A Coluna Prestes e a Paraíba – Lucia de Fátima Guerra Ferreira – UFPB.
- Lutas e Resistências, pág. 157, A Coluna Prestes na Paraíba –José Octávio de Arruda Melo
- Meio Século de Combate. Cordeiro de Farias, Editora Nova Fronteira
- A Coluna Prestes. Nelson Werneck Sodré, Ed Civilização Brasileira A Coluna Prestes. Neill MacCaulay – Difel Editora
- História do Brasil – Tenentismo, Helio Silva
- A Coluna Prestes, Marchas e Combates. Lourenço Moreira Lima, Autor Nacional, Cultura Brasileira – Anais do Senado e da Câmara dos Deputados
- A Coluna Prestes. 2ª. Edição, Anita Leocádia Prestes, Editora Brasiliense.
- A Vida do Coronel Arruda. Cangaceirismo e Coluna Prestes – Ed. Riográfic, João Pessoa 1989
- Joana dos Santos, romance (fatos e depoimentos sobre a passagem da Coluna Prestes em Piancó) – Ivan Bichara Sobreira, Rio de Janeiro, Editora Bertrand.







 

 

 

 




FONTE: Eilzo Matos
O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos o direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas. A qualquer tempo, poderemos cancelar o sistema de comentários sem necessidade de nenhum aviso prévio aos usuários e/ou a terceiros.
Comentários
© Copyright 2018 :: Todos os direitos reservados
Site desenvolvido pela Lenium