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'Apanhei grávida', relata sobrevivente de violência doméstica na Paraíba
Layse Batista é a única sobrevivente entre as mulheres homenageadas na Praça das Mulheres, em João Pessoa.
Rita Bizerra Patos - PB
Postada em 30/11/2017 ás 16h22 - atualizada em 30/11/2017 ás 16h40
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'Apanhei grávida', relata sobrevivente de violência doméstica na Paraíba

Mulher violentada


"Cheguei a apanhar grávida. Também apanhei com meu filho no colo. Foi muito ruim passar por tudo isso. Quando a gente tem filho ou está grávida, fica muito mais frágil, muito mais sensível”. O relato é da jovem paraibana Layse Batista, de 26 anos, que viveu uma realidade de violência doméstica durante mais de um ano antes de decidir denunciar o agressor.




Layse é a única sobrevivente entre as mulheres homenageadas na Praça das Mulheres, inaugurada nesta quinta-feira (30), no Parque da Lagoa, em João Pessoa. Localizada no canteiro dos Ipês, a praça conta com seis placas simbólicas com nomes de mulheres - cinco assassinadas e Layse, que sobreviveu - vítimas da violência contra a mulher na cidade.




Aos 20 anos, Layse começou a namorar um homem 40 anos mais velho. Segundo ela, as discussões começaram logo no início do relacionamento. Como muitas outras mulheres, ela achava que as brigas eram rotina normal de casal. Porém, os confrontos verbais passaram a ser físicos, com empurrões e murros. Chegou um momento em que as agressões eram diárias.




“Houve uma época que ele tentou me matar, arrochando meu pescoço. Dava chute em mim, murro, tapa”, lembrou. “Chegou em uma situação que não dava mais para suportar o conflito, a dor física e a psicológica também, os maus tratos, os xingamentos”.

As brigas tiveram início por causa de dinheiro. Ele começou a usar o nome de Layse, que era limpo, para fazer dívidas no comércio. Quando ela questionava, começava o confronto. Depois, o problema foi uma gravidez indesejada. Ele pedia que ela abortasse, enquanto ela não queria abrir mão da filha.





“Ele deu na minha barriga. Ele queria que eu perdesse a criança. Então eu reagi, mordi ele, deixei ele cheio de hematomas. Eu nunca tinha denunciado, mas ele usou isso contra mim. Cheguei a ser processada, condenada e foram dadas medidas protetivas a favor dele, com base na Lei Maria da Penha”, contou Layse.

Mesmo com tudo isso, Layse só se viu realmente motivada a denunciar e se separar definitivamente do namorado quando teve o filho tomado de si. Ela explicou que chegou a ser presa irregularmente e levada para a casa da mãe, na cidade de Ingá, a 110km de João Pessoa.




“Eu fui torturada, sabe? Eu grávida da minha menina, tomaram meu filho, me levaram a força para a casa da minha mãe. Voltei para João Pessoa e foi uma guerra sem fim. Fiquei duas noites e três dias sem meu filho. Na época, eu amamentava. Senti febre, calafrios. Pra quem é mãe, tem uma dimensão do sofrimento que é. Meu filho tava fazendo um aninho, eu nunca tinha dormido longe dele”, relatou.







 

Filhos de Layse a motivaram a romper o ciclo de violência em que vivia (Foto: Krystine Carneiro/G1)Filhos de Layse a motivaram a romper o ciclo de violência em que vivia (Foto: Krystine Carneiro/G1)



Filhos de Layse a motivaram a romper o ciclo de violência em que vivia (Foto: Krystine Carneiro/G1)






Um presente sem violência


Após recorrer da condenação e ser absolvida das acusações de lesão corporal, cárcere privado e constrangimento ilegal, Layse denunciou o pai dos filhos dela. O processo segue na Justiça, mas ela já conseguiu romper os laços com ele. Ao mesmo tempo, ela tentou superar tudo, fazendo cursos profissionalizantes, procurando emprego e fazendo inscrição em programas habitacionais.





Hoje casada com outro homem, morando em um apartamento popular próprio e trabalhando como auxiliar de limpeza, Layse vê que seu presente poderia ser diferente caso não tivesse rompido o ciclo da violência em que vivia.




“Se eu não tivesse denunciado, hoje eu estaria louca, longe do meu filho e provavelmente sem poder vê-lo. Porque ele [o ex] é uma pessoa ruim. Eu só imagino eu estaria com minha filha, sofrendo a ausência do meu filho. Ou morta”, disse a jovem.

Layse admite que não é fácil denunciar o agressor, mas que é necessário. Ela explicou que a dependência financeira e emocional fazem com que a mulher que sofre violência doméstica continue sofrendo calada.




“Eu acho que a dependência financeira é simples de se revolver, é buscar trabalho, buscar ocupação, procurar ocupar a mente. Agora, a emocional é triste. Porque é você achar que depende do agressor pra viver, pra ser feliz. Acho que você tem que depender primeiramente de Deus e de você. Sua felicidade só depende de você mesma”, pontuou.




“Para aquelas que têm filhos, primeiramente pensem nos filhos, já que não pensam nelas mesmas. Eu amo meu filho, não quero ver meu filho crescer num ambiente de briga, guerra, porrada e pancadaria. Não quero que meu filho presencie um assassinato. Não quero que meu filho veja eu sofrer. Saia de perto desse homem, vá para outra cidade, recomece sua vida. Porque recomeçar é fácil, não é difícil. O medo de recomeçar é que prende a gente”, afirmou.







 

Praça das Mulheres homenageia vítimas de violência contra a mulher, no Parque da Lagoa, em João Pessoa (Foto: Krystine Carneiro/G1)Praça das Mulheres homenageia vítimas de violência contra a mulher, no Parque da Lagoa, em João Pessoa (Foto: Krystine Carneiro/G1)



Praça das Mulheres homenageia vítimas de violência contra a mulher, no Parque da Lagoa, em João Pessoa (Foto: Krystine Carneiro/G1)




Praça das Mulheres



Também foram homenageadas na Praça das Mulheres Rebecca Cristina Alves Simões, que morreu aos 15 anos, em 2011; Germana Marinho, assassinada na frente dos filhos, em 2014; Fernanda Ellen, morta aos 11 anos, em 2013, e enterrada no quintal do assassino; Ariane Thaís, que estava grávida quando foi morta, aos 21 anos, em 2010; e Vivianny Crisley assassinada ao sair de um bar no bairro dos Bancários, em 2016.




“A reverência a essas mulheres é importante porque, além de ser o respeito à memória destas mulheres vítimas de uma prática machista e violenta, vai simbolizar a resistência de quem conseguiu sobreviver a ela”, comentou a secretária de Políticas Públicas para as Mulheres (SEPPM), Lidia Moura.




Para Lídia, a localização no Parque da Lagoa foi estratégico para chamar a atenção da população. “É uma área nobre que dá visibilidade para o problema que é concreto, algo muito triste. É uma ação que clama para que a população também se engaje na luta pelo fim desta violência”, assinala.








 

Praça das Mulheres homenageia vítimas da violência contra a mulher, em João Pessoa (Foto: Joserly Luís/Secom-JP)Praça das Mulheres homenageia vítimas da violência contra a mulher, em João Pessoa (Foto: Joserly Luís/Secom-JP)



Praça das Mulheres homenageia vítimas da violência contra a mulher, em João Pessoa (Foto: Joserly Luís/Secom-JP)










FONTE: G1
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