Terça, 18 de junho de 2019
+55 83 9 96891484
Saúde

15/05/2019 às 12h35 - atualizada em 15/05/2019 às 16h18

1.039

Rita Bizerra

Patos / PB

UMA POR DIA... Políticas de combate ao contrabando de cigarros*
É cômico se não fosse trágico, mas o cowboy que por tanto tempo foi o símbolo da Marlboro, faleceu em decorrência do cigarro.
UMA POR DIA... Políticas de combate ao contrabando de cigarros*
Figura ilustrativa

Eu sou do tempo em que a propaganda de cigarros era permitida e "vendia" uma imagem positiva do produto. Artistas e jogadores de futebol diziam que fumar era "independente" e "inspirador".


Os filmes de Hollywood adotavam o merchandising, em favor de um estilo de vida "glamouroso" e "moderno". É cômico se não fosse trágico, mas o cowboy que por tanto tempo foi o símbolo da Marlboro, faleceu em decorrência do cigarro.


Hoje em dia, nenhum meio de comunicação no Brasil pode mais exibir esse tipo de conteúdo. A legislação antifumo no mundo é bastante rígida.


Um tratado internacional estabeleceu planos de ação para diminuir em 30%  o número de tabagistas até 2025. E uma das estratégias é, justamente, tornar os cigarros mais caros, multiplicando os impostos que incidem sobre o produto.


Um dado importante: um estudo publicado na revista científica PLOS Medicine mostra que cerca de 420 mil mortes foram evitadas no Brasil por políticas públicas implementadas de 1989 a 2010. E que se mantidas essas políticas, até 2050 serão evitadas 7 milhões de mortes relacionadas ao fumo.


Agora, o Ministério da Justiça está falando em reduzir o imposto do cigarro fabricado no Brasil, para conter o contrabando.


Essa possibilidade, no mínimo temerária, abre uma discussão na área de saúde pública, visto que o consumo de cigarros impacta diretamente o SUS. E pode ir de encontro a tudo o que já foi conseguido até agora em se tratando de combate ao tabagismo no Brasil, que reduziu o percentual de fumantes de 34,8% em 1989 para 10,1% em 2017.


Em nota, o Conselho Nacional de Saúde diz que isso "demonstra ser uma alternativa controvertida, desnecessária e polêmica que atende única e exclusivamente os interesses do lobby da indústria do tabaco".


O governo acredita que, com a política do preço mínimo, haverá a diminuição do consumo de cigarros estrangeiros e a consequente redução dos gastos em saúde, já que os cigarros ilegais são de baixa qualidade; além de fazer aumentar o faturamento da indústria nacional em R$ 7,526 bilhões, retendo R$ 2,547 bilhões na arrecadação por meio de IPI.


Confesso que tenho dúvidas se a "migração de fumantes de cigarros ilegais para o consumo dos cigarros legais", é o melhor caminho para se trocar todo esse plano de evolução conseguido até agora.


As proposituras de combate ao mercado clandestino de cigarros, têm que estar alinhadas com a educação da população, a promoção de medidas de fiscalização para menores, a atuação na prevenção e repressão ao crime de contrabando, na multa e prisão de quem está receptando o ilícito. 


E, além de tudo isso, promover o aumento no preço do maço do cigarro. Fazer doer no bolso, antes de doer no pulmão.


Permita-me o ditado português deveras apropriado: "muita fumaça; pouco fogo".


 

FONTE: G1

O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos o direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas. A qualquer tempo, poderemos cancelar o sistema de comentários sem necessidade de nenhum aviso prévio aos usuários e/ou a terceiros.
Comentários

0 comentários

Veja também
Uma por Dia de Misael Nóbrega

Uma por Dia de Misael Nóbrega

Blog/coluna Aqui serão postados todos os dias um artigo escrito pelo Escritor Misael Nóbrega, sobre os mais variados temas
Facebook
© Copyright 2019 :: Todos os direitos reservados
Site desenvolvido pela Lenium